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quarta-feira, 10 de junho de 2026

Quaest: Vorcaro, tarifaço e independentes movem queda de Flávio Bolsonaro e alta de Lula

 Somados, os três fatores ajudam a explicar porque o presidente aparece agora com seis pontos de vantagem contra o rival no cenário de segundo turno medido pela nova pesquisa


Foto: Reprodução

Por: Jairo Costa Jr. no dia 10 de junho de 2026 

A nova pesquisa do instituto Quaest identificou três efeitos que ajudam a explicar o recuo do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e a ampliação da vantagem do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no duelo eleitoral entre ambos pelo comando do país. O primeiro deles tem relação com a descoberta das ligações pessoais e financeiras do "Filho 01" de Jair Bolsonaro com Daniel Vorcaro, personagem central do escândalo do Banco Master.

O instituto questionou os entrevistados sobre a divulgação de áudios e mensagens entre Flávio Bolsonaro e o banqueiro, a visita que o senador fez à casa de Vorcaro quando ele já estava em prisão domiciliar e os repasses de R$ 61 milhões para bancar o filme Dark Horse, que conta a trajetória política do pai. O resultado foi muito negativo para Flávio Bolsonaro.

De acordo com a Quaest, a imensa maioria, 65% dos eleitores, disseram que o senador errou e não devia ter pedido dinheiro ao dono do Master. Apenas 17% acharam que Flávio Bolsonaro acertou e que não há nada demais, fatia que compõe o eleitorado bolsonarista "puro-sangue". Outros 18% não quiseram ou não souberam responder, apontou o levantamento. 

Para 12% dos brasileiros, a relação com o banqueiro diminui a vontade de votar em Flávio Bolsonaro, enquanto 6% afirmam que a relação aumenta a vontade de votar no senador na corrida pela Presidência. Para 76%, o elo entre Flávio e Vorcaro não muda a decisão de voto, seja ela de votar no senador ou de não votar.

Avanço de Lula sobre eleitores independentes
Entre os principais achados da nova pesquisa Quaest sobre o segundo turno das eleições, em comparação com o levantamento divulgado pelo instituto em 13 de maio, diz respeito aos eleitores independentes, que dizem não ser lulistas ou bolsonaristas, esquerda ou direita. Nessa parcela, a intenção de voto em Lula subiu vertiginosamente.

Segundo a Quaest, o presidente tinha 29% em maio. Agora, aparece com 37%, oito pontos percentuais a mais. No polo oposto, Flávio Bolsonaro perdeu sete pontos entre os independentes e caiu de 31% para 24%. Para o diretor do instituto, Felipe Nunes, a migração em escala quase igual indica que esses eleitores "trocaram Flávio por Lula".

O dado sobre os independentes ganha importância porque eles correspondem a um terço do eleitorado e podem decidir a disputa. Nessa parcela, Lula passou Flávio Bolsonaro de maio para junho e abriu nada menos que 13 pontos de vantagem. Caso a tendência permaneça, é bem possível que o petista ganhe ainda mais espaço junto a esses eleitores às vésperas da campanha.

'Efeito tarifaço'
Outra variável que atesta a movimentação favorável ao petista detectada na pesquisa Quaest divulgada nesta quarta-feira (10) tem origem na ameaça do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de impor novas tarifas para importados brasileiros. Ao todo, 47% dos entrevistados dizem concordar com Lula, que acusa Flávio Bolsonaro de ter pedido o novo tarifaço dos Estados Unidos contra o Brasil, e 46% acham que a medida é uma retaliação ao Pix.

Já 35% dos 2.004 eleitores ouvidos pelo instituto entre os dias 5 e 8 de junho afirmam concordar mais com Flávio, que garante ter pedido a Trump para não impor novas tarifas ao país. Os que não souberam responder ou não quiseram opinar somam 18%. Trata-se da primeira pesquisa que capta a percepção dos brasileiros sobre a mais recente ameaça do governo americano. 

Somados, os três fatores contribuíram para o cenário de segundo turno da sucessão presidencial medido pela Quaest, no qual Lula lidera com 44%, contra 38% de Flávio Bolsonaro (PL). O quadro de empate técnico entre eles apontado pelo instituto em 13 de maio deixou de existir. 

Na pesquisa anterior, divulgada em maio, Lula tinha 42%, ante 41% do principal concorrente, com o presidente abrindo agora uma vantagem de seis pontos percentuais. A frente permanece mesmo se for aplicada a margem de erro de dois pontos.  


FONTE METRO 1

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