Artigo assinado pelo presidente brasileiro e outros três líderes, publicado no Financial Times, apresenta proposta de cooperação entre países e defende reforma do Conselho de Segurança da ONU
Foto: Ricardo Stuckert
Luiz Inácio Lula da Silva (PT) anunciou, neste domingo (20), a criação do Parceiros para o Multilateralismo (P4M), iniciativa apresentada em artigo publicado no jornal britânico Financial Times. O texto é assinado também pelo presidente do Conselho Europeu, António Costa, pelo presidente do Quênia, William Ruto, e pelo primeiro-ministro do Canadá, Mark Carney.
Segundo os quatro líderes, a proposta pretende reunir países de diferentes regiões e tradições políticas em torno de objetivos comuns, sem criar um novo bloco exclusivo ou uma estrutura burocrática internacional.
“A P4M não visa criar mais um bloco exclusivo ou mais uma burocracia internacional. Seu propósito é o oposto: criar uma estrutura flexível e aberta para países de diferentes regiões e tradições políticas que estejam dispostos a trabalhar além das divisões, construir coalizões para a reforma e traduzir princípios compartilhados em ações práticas”, afirmaram.
Os autores defendem que a iniciativa busca recuperar os ideais do multilateralismo em um cenário de crescente fragmentação e polarização, apesar da interdependência entre os países.
O anúncio ocorre poucos dias antes da 81ª Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), realizada nesta semana, em Nova York, nos Estados Unidos. O encontro reúne representantes das 193 nações integrantes da organização para discutir os principais desafios internacionais, incluindo os conflitos armados em andamento.
No artigo, os líderes destacam o aumento das guerras e dos investimentos militares. Segundo eles, em 2025 foram registrados 65 conflitos armados entre Estados, distribuídos por 35 países, o maior número desde 1946. As despesas militares globais também alcançaram um recorde de US$ 2,9 bilhões.
A reforma do Conselho de Segurança da ONU aparece entre as prioridades da P4M. Os autores afirmam que a iniciativa pretende fortalecer o sistema multilateral, e não substituí-lo.
“A P4M apoiará a reforma da ONU e de outras instituições multilaterais, para torná-las mais representativas, legítimas, eficazes e confiáveis”, diz outro trecho do artigo.
A proposta também prevê ampliar a cooperação entre organizações regionais, contribuir para a paz e a segurança, aprimorar a governança econômica global e desenvolver respostas conjuntas a desafios como inteligência artificial, mudanças climáticas, segurança sanitária e transformação digital.
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