Investigação preliminar havia sido anunciada no dia do primeiro turno após reportagem do The Guardian sobre projeto americano que previa R$ 5 milhões a grupos críticos do STF
Foto: Official White House Photo by Daniel Torok/Reprodução/Polícia Federal
O pedido de apuração sobre uma suposta interferência dos Estados Unidos nas eleições brasileiras foi arquivado pela Polícia Federal. A representação havia sido apresentada pela Advocacia-Geral da União (AGU) à corporação na semana passada. A investigação preliminar foi anunciada pelo diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, no dia da votação do primeiro turno, no domingo (4).
"Recebemos uma representação da AGU sugerindo apuração de interferência externa. Foi encaminhado para a Diretoria de Inteligência para dar início à apuração. É uma investigação em andamento, um procedimento prévio. Não foi publicada a portaria do inquérito, mas já temos uma investigação em curso", afirmou Rodrigues na ocasião.
O pedido da AGU foi motivado pela reportagem do jornal britânico The Guardian sobre um projeto norte-americano chamado "Combate à Litigância Deliberativa e à Censura no Brasil". A iniciativa previa cerca de R$ 5 milhões para grupos de oposição a supostos abusos do Judiciário e à censura orquestrada pelo Supremo Tribunal Federal (STF).
De acordo com o veículo, os recursos fazem parte de um pacote de US$ 175 milhões (aproximadamente R$ 918 milhões) do principal fundo de direitos humanos do Departamento de Estado dos EUA. O montante também seria distribuído a projetos em outros países.
Desse valor, o The Guardian informou que US$ 40 milhões seriam destinados a um fundo anticomunista, que um grupo de defesa dos direitos de sul-africanos brancos também receberia apoio e que aliados ideológicos dos Estados Unidos na Europa seriam incluídos em programas de recompensas.
Esta não é a primeira medida do governo americano contra o STF. Em julho de 2025, os EUA sancionaram o ministro Alexandre de Moraes com base na Lei Magnitsky, em retaliação à condução do julgamento que resultou na condenação e na prisão do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) por tentativa de golpe de Estado, após a derrota na disputa pela reeleição em 2022. As sanções foram revogadas em dezembro.
O financiamento a grupos no Brasil surge agora em um contexto em que o governo do presidente Lula (PT) enxerga uma tentativa de interferência de Washington no processo eleitoral brasileiro.

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