Instituição fundada em 1808 inaugurou o ensino superior no país e mantém atuação histórica em ensino, pesquisa e preservação da memória médica
Foto: Acervo/ Iphan
Fundada em 1808 e reconhecida como a primeira escola médica do Brasil, a Faculdade de Medicina da Bahia, da Universidade Federal da Bahia, completa 218 anos nesta quarta-feira (18). Instalada no Terreiro de Jesus, em Salvador, a instituição atravessou mais de dois séculos na formação de gerações de médicos, exerceu influência sobre a história nacional e se consolidou como referência acadêmica, científica e cultural no país.
Atualmente, a faculdade é dirigida pelo professor Antonio Alberto da Silva Lopes, docente da instituição desde 1980 e primeiro afrodescendente a assumir a direção em mais de dois séculos de existência.
Instalada no antigo Colégio dos Jesuítas, no Terreiro de Jesus, em Salvador, a então Escola de Cirurgia da Bahia foi criada para atender às demandas sanitárias da época e contou com influência decisiva do médico José Correia Picanço na organização do ensino. Em 1816, a instituição foi transformada em Academia Médico-Cirúrgica e, em 1832, passou à condição de Faculdade de Medicina, e consolidou o ensino médico superior no Brasil.
Ao longo de mais de dois séculos, a Faculdade de Medicina da Bahia formou profissionais que atuaram em momentos decisivos da história nacional, como a Independência do Brasil, a Sabinada e a Guerra do Paraguai. Entre seus ex-alunos estão Raymundo Nina Rodrigues, Juliano Moreira, Pirajá da Silva, Manuel Vitorino, Afrânio Peixoto e Maria Odília Teixeira, primeira médica negra formada no Brasil, em 1909.
Hoje, a instituição mantém atuação em ensino, pesquisa e extensão, com projetos voltados à atenção básica, às especialidades clínicas e à saúde pública. Entre os destaques recentes está a criação, em 2024, do Centro Internacional de Estudo e Pesquisa da Saúde da População Negra e Indígena (CIEPNI), iniciativa pioneira no estado. O centro tem como objetivo ampliar estudos e pesquisas em saúde voltados às populações negra e indígena, além de comunidades tradicionais, como os quilombolas, fortalecendo a produção científica e o debate sobre equidade em saúde.
Além disso, a faculdade abriga ainda o Memorial da Medicina Brasileira, responsável pela preservação de acervos históricos, bibliográficos e museológicos que registram a trajetória da medicina desde 1808, além da realização de atividades educativas e culturais abertas ao público, com o objetivo de preservar a memória da primeira escola médica do país.
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